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Superlutas

Roger Gracie vs Marcus Buchecha: o duelo histórico que terminou empatado no Metamoris 2012

@bjjcomlucas01 jan 20128 min de leitura

Roger Gracie e Marcus “Buchecha” Almeida fizeram um dos confrontos mais aguardados do Jiu-Jitsu mundial na primeira edição do Metamoris, em 14 de outubro de 2012, em San Diego, na Califórnia. Roger voltava a competir no Jiu-Jitsu depois de um período concentrado no MMA, enquanto Buchecha chegava ao confronto como o atual campeão mundial absoluto.

Assista à luta completa:

Vídeo: Oscvr

O formato tornava o duelo ainda mais particular: eram 20 minutos, sem pontos ou vantagens, e somente uma finalização poderia determinar o vencedor. Buchecha conseguiu criar as situações de maior perigo, principalmente no final da luta, quando encaixou um armlock e chegou perto de finalizar Roger. O veterano, porém, defendeu o ataque e resistiu até o cronômetro zerar. O resultado oficial foi empate.

Poucas lutas representam tão bem a mudança de direção que o grappling profissional começava a experimentar em 2012 quanto Roger Gracie vs Marcus Buchecha.

De um lado estava Roger Gracie, um dos maiores campeões da história do Jiu-Jitsu, conhecido pelo domínio do jogo de kimono, pela pressão por cima e pelo estrangulamento pelas costas. Do outro, Marcus “Buchecha” Almeida, então uma das grandes forças da nova geração e recém-coroado campeão mundial absoluto.

O encontro aconteceu em 14 de outubro de 2012, na Viejas Arena, em San Diego, durante o primeiro Metamoris Pro. E havia uma diferença fundamental em relação às competições tradicionais de Jiu-Jitsu: não existiam pontos ou vantagens.

A luta tinha um único objetivo.

Finalizar.

Se nenhum dos dois conseguisse chegar à submissão em 20 minutos, o resultado seria empate.

Foi nesse cenário que dois dos maiores nomes do esporte entraram no tatame.

Roger voltava ao Jiu-Jitsu diante da nova geração

O contexto de Roger era diferente daquele que o público estava acostumado a ver nos Mundiais da IBJJF.

Ele estava dedicado ao MMA e vinha de uma carreira paralela no Strikeforce. O duelo com Buchecha representava uma volta ao Jiu-Jitsu competitivo depois de um período afastado dos campeonatos tradicionais.

Roger já carregava um currículo extraordinário.

Antes daquela noite, havia conquistado dez títulos mundiais na faixa-preta e três títulos mundiais absolutos, além de outros resultados importantes no Jiu-Jitsu e no ADCC.

Buchecha representava justamente a geração que começava a ocupar esse espaço.

Em 2012, o atleta da CheckMat havia conquistado os títulos mundial e absoluto da IBJJF. O desempenho naquele campeonato foi particularmente marcante, com vitórias sobre nomes importantes da divisão pesada e absoluta.

Por isso, a luta também carregava uma questão simbólica.

Era o grande campeão estabelecido contra o atleta que estava assumindo o protagonismo da nova geração.

Um formato diferente de tudo que o público conhecia

O Metamoris foi criado justamente com a proposta de colocar a finalização no centro do espetáculo.

Na luta principal, Roger e Buchecha teriam 20 minutos para resolver o confronto.

Sem placar.

Sem vantagem.

Sem possibilidade de alguém vencer acumulando pontos durante o combate.

Se um dos atletas finalizasse, a luta acabava imediatamente.

Caso contrário, o cronômetro chegaria aos 20 minutos e o resultado seria empate.

Essa regra modificava completamente a tomada de decisão.

Em uma luta convencional, uma passagem de guarda pode valer três pontos, uma raspagem pode valer dois e uma posição dominante pode ser construída pensando também no placar.

No Metamoris, nada disso era suficiente.

Era necessário transformar a posição em uma ameaça de finalização.

Isso fez com que Roger e Buchecha pudessem trabalhar posições sem a preocupação de conceder pontos ao adversário.

O objetivo era encontrar a brecha definitiva.

Buchecha impõe ritmo e cria as principais ameaças

Desde o início, o combate mostrou dois estilos muito diferentes.

Roger buscava trabalhar seu jogo característico, utilizando o kimono, pressão e controle posicional para impedir que Buchecha conseguisse desenvolver seu ritmo.

Buchecha, por sua vez, apresentou uma postura agressiva e tentou levar o confronto para situações em que pudesse atacar.

O brasileiro estava em um momento de grande confiança.

A boa fase competitiva daquele período também fazia diferença. Enquanto Roger estava retornando ao Jiu-Jitsu depois de priorizar o MMA, Buchecha vinha de uma temporada em que havia conquistado os principais títulos da IBJJF.

Essa diferença de ritmo apareceu durante o combate.

Buchecha conseguiu produzir algumas das situações ofensivas mais perigosas da luta.

Mas Roger continuava demonstrando uma característica que já fazia parte de sua reputação: a capacidade de permanecer tecnicamente organizado mesmo quando o adversário conseguia avançar.

Roger consegue trabalhar por cima

Apesar da pressão de Buchecha, Roger também encontrou posições dominantes.

Em determinados momentos, o Gracie conseguiu chegar por cima e trabalhar a passagem de guarda, buscando controlar o corpo do adversário e construir uma posição de maior estabilidade.

Esse era um ponto importante do confronto.

Como não havia pontos, simplesmente conseguir passar a guarda não encerrava o trabalho.

Roger precisava transformar o controle em uma finalização.

Buchecha precisava fazer o mesmo quando conseguia inverter a posição.

A luta, portanto, não era uma disputa para simplesmente “ganhar posições”.

Cada posição precisava abrir caminho para o ataque seguinte.

O momento mais perigoso: o armlock de Buchecha

A reta final do combate foi o momento que mais ficou marcado na memória de quem acompanhou aquela luta.

Buchecha conseguiu criar uma situação de ataque ao braço de Roger e chegou muito perto de finalizar o adversário.

A posição chamou atenção justamente porque Roger estava diante de uma situação em que qualquer pequena falha defensiva poderia encerrar o confronto.

A própria GRACIEMAG posteriormente publicou uma análise técnica do armlock, destacando a forma como Buchecha utilizou a pegada no bíceps de Roger para controlar o braço e girar por cima do adversário.

O ataque foi profundo.

Mas Roger não bateu.

Ele conseguiu trabalhar a defesa e escapar da finalização.

Essa sequência acabou se tornando uma das imagens mais lembradas daquele primeiro encontro.

GRACIEMAG registrou que Buchecha chegou a “esticar” o braço de Roger na parte final da luta, enquanto o Gracie conseguiu defender a posição.

O cronômetro continuava correndo.

E o empate começava a se tornar uma possibilidade real.

A defesa de Roger decide o resultado

Quando o tempo terminou, nenhum dos dois havia conseguido finalizar.

Resultado oficial:

Roger Gracie e Marcus Buchecha empataram após 20 minutos.

Não houve decisão por pontos porque os pontos simplesmente não faziam parte daquele formato.

Não houve vencedor.

Não houve perdedor.

O confronto terminou exatamente de acordo com a regra estabelecida antes do evento.

Mas isso não significa que os 20 minutos tenham sido sem consequências.

Buchecha havia conseguido colocar Roger em situações de perigo, principalmente no ataque ao braço.

Roger, por outro lado, mostrou que sua defesa continuava capaz de resistir mesmo diante de um dos atletas mais fortes e agressivos daquela geração.

Uma luta que ajudou a definir o conceito do Metamoris

O confronto também precisa ser entendido dentro do momento histórico do esporte.

O Metamoris surgiu em uma época em que havia crescente interesse por formatos profissionais de grappling que valorizassem mais as finalizações.

A primeira edição reuniu nomes como André Galvão, Ryron Gracie, Dean Lister, Xande Ribeiro, Kron Gracie, Rafael Lovato Jr., Caio Terra e Jeff Glover.

Três das outras lutas terminaram em finalização naquela noite.

Kron Gracie finalizou Otávio Sousa com um armlock, Rafael Lovato Jr. venceu Kayron Gracie por kimura e Caio Terra finalizou Jeff Glover também com uma chave de braço.

A luta principal, porém, terminou de maneira diferente.

Roger e Buchecha chegaram aos 20 minutos.

Empate.

E justamente por isso o confronto ganhou uma identidade própria.

Não havia um campeão naquela noite.

Havia apenas a pergunta que ficou sem resposta: o que aconteceria se um dos dois tivesse conseguido transformar uma das grandes posições de ataque em finalização?

O duelo entre duas eras do Jiu-Jitsu

O peso histórico da luta também está na trajetória dos dois atletas.

Roger representava uma geração que havia construído seu domínio principalmente dentro do sistema competitivo tradicional do Jiu-Jitsu.

Buchecha estava chegando para estabelecer seu próprio período de domínio.

O encontro de 2012 colocou esses dois momentos frente a frente.

E cinco anos depois, a história ganharia um segundo capítulo.

Em 2017, os dois voltariam a se enfrentar no Gracie Pro, no Rio de Janeiro. Desta vez, Roger conseguiu finalizar Buchecha por estrangulamento aos 6min52s e encerrou sua carreira competitiva no Jiu-Jitsu com a vitória.

Mas aquela revanche não apaga a importância do primeiro encontro.

Pelo contrário.

O empate de 2012 é justamente o que tornou a revanche tão aguardada.

A revanche só aumentou o peso do primeiro encontro

Quando Roger e Buchecha voltaram a dividir o tatame em 2017, o confronto foi vendido naturalmente como uma revanche.

O motivo era simples.

Cinco anos antes, ninguém havia conseguido responder definitivamente à pergunta.

Roger não havia sido finalizado.

Buchecha também não.

O primeiro encontro terminou quando o relógio chegou ao limite.

Em 2017, a história foi diferente.

Roger conseguiu controlar uma situação de passagem, chegou às costas e finalizou Buchecha com um estrangulamento de lapela.

Mas o duelo de 2012 continua sendo uma peça fundamental para entender por que aquela revanche carregava tanto significado.

O legado do Roger Gracie vs Buchecha de 2012

Roger Gracie vs Marcus Buchecha não teve vencedor.

E talvez seja justamente isso que mantém a luta tão presente na memória do Jiu-Jitsu.

Foi um encontro entre dois campeões de gerações diferentes, disputado em um formato que eliminava a pontuação e obrigava os atletas a buscar a finalização.

Buchecha conseguiu as oportunidades mais perigosas, principalmente o armlock no final.

Roger respondeu com uma das características que marcaram sua carreira: defesa extremamente difícil de quebrar.

O relógio chegou aos 20 minutos.

Nenhum tap.

Nenhuma finalização.

Empate.

Mais do que um resultado, aquela luta se tornou um registro de uma época em que o Jiu-Jitsu começava a experimentar novos formatos profissionais de submission grappling.

E quando Roger e Buchecha finalmente voltaram a se encontrar cinco anos depois, o significado daquele empate ficou ainda maior.

Em 2012, ninguém conseguiu finalizar ninguém. Em 2017, Roger finalmente resolveu a rivalidade.

Mas foi naquela primeira batalha de 20 minutos, no Metamoris, que começou uma das rivalidades mais emblemáticas da história recente do Jiu-Jitsu.

Fontes
  • SporTV/Combate — cobertura do Metamoris Pro e do empate entre Roger Gracie e Marcus Buchecha
  • GRACIEMAG — cobertura do Metamoris 2012
  • GRACIEMAG — análise técnica do armlock aplicado por Buchecha
  • FloGrappling — histórico competitivo de Marcus Buchecha
  • Tapology — registro oficial do confronto no Metamoris 1
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