
Pesquisador aponta supressão de menções aos Gracie em livro sobre Mitsuyo Maeda
O sumiço das menções aos Gracie em obra histórica
A história do Jiu-Jitsu Brasileiro é repleta de narrativas contestadas, mas uma descoberta recente traz à tona um novo capítulo sobre como essa trajetória foi documentada ao longo do tempo. O pesquisador de artes marciais Gustavo Maçaneiro identificou que um tradutor japonês parece ter removido deliberadamente referências à família Gracie de um livro dedicado a Mitsuyo Maeda, o judoca amplamente creditado por introduzir o judô no Brasil.
A obra em questão é o terceiro volume de uma série que documenta as viagens de Maeda, compilada por meio de cartas e telegramas enviados a um amigo no Japão e publicada logo após a morte do mestre, em 1941. O volume que cobre o período passado no Brasil permanece como uma das raras fontes de primeira mão detalhando as atividades do mestre fora do território japonês.
A revelação de Gustavo Maçaneiro e o artigo do Capitão Soto
Em participação em um podcast, Maçaneiro, que é faixa-preta de Jiu-Jitsu e de Judô Kodokan, explicou como descobriu a omissão durante suas investigações sobre as origens da modalidade. O livro original inclui um tributo escrito pelo Capitão Soto, um dos alunos de Maeda, publicado inicialmente como um artigo de jornal logo após o falecimento do mestre. Ao comparar o artigo original com a versão impressa no livro japonês, o pesquisador notou que o tradutor cortou o trecho exato onde o Capitão Soto discutia a relação dos Gracie com Maeda.
Segundo o trecho revelado por Maçaneiro, o Capitão Soto afirmava que Maeda era muito grato aos Gracie. No entanto, por razões ainda desconhecidas, essa parte foi suprimida na tradução para o japonês presente no livro. O próprio pesquisador destacou o mistério por trás da decisão: «Interessantemente, neste livro, por alguma razão, eu não sei por que, o tradutor apagou a parte onde eles falavam sobre os Gracie».
O peso da descoberta para os debates históricos
A exclusão ganha relevância porque a conexão entre Mitsuyo Maeda e Carlos Gracie continua sendo um dos pontos mais debatidos na história do Jiu-Jitsu Brasileiro. A família Gracie sempre sustentou que Carlos treinou sob a tutela de Maeda em Belém, no final da década de 1910. Em contrapartida, céticos — com destaque para Donato Pires dos Reis, que posteriormente abriu uma academia com Carlos no Rio de Janeiro — argumentavam que tal treinamento nunca ocorreu.
Apesar da controvérsia, existem evidências adicionais que corroboram a ligação entre os Gracie e Maeda. Takeo Yano, que ensinou judô ao lado de Maeda no norte do país, relatou a um repórter japonês que os irmãos Gracie estudaram com o mestre japonês, corroborando a versão dos fatos. Além disso, registros de jornais de 1921 mostram um confronto entre Oscar Gracie e Donato Pires, com ambos listados como alunos de Jacyntho Fer.
Confira abaixo mais detalhes sobre essa descoberta que mexe com as raízes da nossa arte marcial.
Domine um sistema completo
O curso 100KG Domínio Absoluto ensina você sobre controle e pressão, do fundamento à finalização.